Futebol e Impeach

A bola não sai de seus pés, os adversários, também. O gramado é seu campo de batalha. A área sua zona de conforto. O gol, sua meta. Os segundos passam como horas. Cada lance define sua vida. Seu gingado confunde as mais precisas das mentes, eles surpreende. Ninguém o segura, ou melhor, sempre o seguram. Nunca o param. É celebrado. É odiado. Veloz, não o descreve os encanadores de sao paulo. Iluminado, tão pouco. Inacreditável, chega mais perto. As redes clamam seu nome, as traves o evitam. Seus cortes precisos e habilidosos o transformam em um artista. Um artista que pinta com as canetas de seus calcanhares. Ele não espera, é esperado. Em seu sangue corre o verde dos gramados. Seu coração pulsa no ritmo do jogo. O ar em seus pulmões é o grito da torcida. Ele chuta, cabeceia e domina o que vier pela frente. Ele é o craque.

Ele a cumprimenta como uma velha amiga. A segura em seus braços, apertado. Beija sua face carinhosamente e olha profundamente para ela completamente apaixonado. Em sua cabeça diz tudo que gostaria de gritar bem alto. Encara os adversários e sabe que ela não é de  nenhum deles. A batalha começa rivalizada pelos dois lados. Todos a querem, mas, ela, só tem um amado. Finalmente, depois de muitos mal-tratos ela volta, implorando aos seus pés por um agrado. Dançam de um lado para o outro quase sem ser incomodados. Se aproximam da despedida, mas sabem que é só por um breve momento. Ele a olha pela última vez e despede-se com um magnífico petardo. As redes a abraçam e a multidão entra em colapso. E mais uma vez, o craque, e a bola, fazem um golaço.

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